UMA ESCOLA ESPECIAL

Fazem alguns meses que visitei uma escola no interior do Estado. Esta, entre muitas que conheci, me inquietou pela simplicidade de suas instalações  físicas. Sua construção, fachada e cobertura, pareciam contrariar todas as dificuldades da região. Parecia que tinha sido construída como uma ação de resistência as dificuldades externas e falta de acesso a oportunidades.

No local, percebi que, em meio as muitas casas de barro construídas, a escola representava um caminho aberto a todas as gerações, cujo conhecimento parecia ser compreendido como o mais importante instrumento de libertação. Como um grito daqueles que a defendia, revelando aos passantes que ela tinha um papel importante na comunidade.

A sua localização contrariava os tradicionais modelos de ocupação dos espaços nas comunidades, quase sempre preenchidos com pracinhas, quadras, bares ou igrejas em seu canteiro central. No centro, representando a sua importância para a comunidade, estava a escola feita de cobertura de lona.

Essa experiência me possibilitou muitas reflexões, entre elas, o quanto é importante resistir frente as dificuldades; e quanto o conhecimento, independente de onde construído, pode representar um caminho para que alguns reescrevam suas histórias.

O nome da escola, homenageava uma educadora, cujo esposo fora exilado injustamente por acreditar e lutar por um mundo melhor. Fora exilado, por sujeitos que não acreditavam na vitória dos que construíram a escola.

A SOCIOLOGIA COMO UMA DISCIPLINA DESAFIADORA

Em meio a algumas experiências que tenho tido como professor da disciplina de sociologia no Ensino Médio, passei a fazer anotações sobre os principais desafios de mediar os conteúdos, criar estratégias de ensino-aprendizagem, entre outros, a fim de fazer uma auto reflexão sobre as minhas práticas e de contribuir com os que estão iniciando esse caminho.

Em primeiro lugar, é importante dizer que os desafios se iniciam desde o primeiro momento em que assumimos formalmente a disciplina junto a escola. Pois em decorrência do seu recente retorno as salas de aulas, ou do seu retorno do exílio, ainda não possui uma proposta curricular definida. Nesse sentido, o professor deve, como manda o protocolo, buscar orientações nos PCN”s, OCN’s, indicar um livro para ser utilizado como uma espécie de “fio condutor” dos estudos e discussões; tomando cuidado para não indicar um material muito complexo, reproduzindo suas aulas no curso de Ciências Sociais, nem simples demais.

No cotidiano da disciplina tenho percebido a dimensão dos desafios vivenciados pelo  representante desse campo de discussão. Estes notados entre jovens alunos que não estão habituados com a reflexão sobre de temas sociais.   Tenho percebido nas falas de alguns jovens, que o mundo social ainda representa um algo desconhecido, que os problemas sociais, por mais que estejam acontecendo na casa do vizinho ou na esquina, ainda permanecem sendo “o problema do outro”.

Na tentativa de possibilitar reflexões sobre a nossa co-responsabilidade frente as questões sociais, temos proposto  momentos de debates que  procuram, através de problematização de alguns temas, romper com algumas formas de pensar cristalizadas.

Observamos que esses debates e reflexões têm sido mais aceitos, principalmente no meio daqueles que de alguma forma vivenciaram algum tipo de experiência coletiva, em grupos de jovens, ações de voluntariado, entre outras. Estes, são os que mais tem expressado conhecimentos sobre as questões sociais, e interesse em debater os conteúdos da disciplina. Por outro lado, esse grupo tem sempre representado a minoria na sala de aula. A verdade é que não são muitos os alunos que participam de grupos, ou que se interessam por temas sociais, a maioria demonstram estar preocupados com outras questões, referentes ao trabalho, ao acesso a bens de consumo, etc.

Nos corredores, ao conversar com alguns alunos sobre o interesse nas diferentes disciplinas, este tem sido direcionado as que serão avaliadas no vestibular. Como a sociologia ainda permanece de fora desse grupo, a ela tem sido reservado um pequeno lugar nos cadernos dos alunos . Lugar este  quase sempre dividido com outras disciplinas como filosofia, religião e artes.

É certo que a disciplina é desafiadora, não em seus conteúdos, mas na sua mediação frente a realidade a qual ela se propõe. Como nos identificamos com esses desafios, e vemos na educação mais que uma possibilidade de ganhar dinheiro e pagar as contas, temos enfrentado toda a estrutura que insiste em permanecer resistente ao novo que representamos.

27/02/2010

HAVIA UMA SOCIOLOGIA NO MEIO DO CAMINHO

Tomando como inspiração a poesia de Drummond, lembrada por meio das falas de alguns alunos que, antes de conhecerem a disciplina de sociologia, a consideravam como uma espécie de  poblema ou pedra no curriculo escolar, criamos o titulo deste espaço de celebração para socializar com todos uma pequena conquista. Conquista esta expressa pela mudança de pensamento de  nossos alunos em relação a sociologia, pela  transformação da pedra indesejada em uma lente necessária.

Dois momentos explicam os motivos dessa celebração: o primeiro consiste na recusa de alguns alunos em discutir e estudar os conteúdos da disciplina; o segundo, na mudança de comportamento expresso na participação efetiva destes nas aulas.

Acredito que alguns alunos perceberam que a disciplina pode ser utilizada como um instrumento critico para compreender a realidade.

São de pequenas conquistas que vivemos.