Dois Caminhos

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No ano de 2007, ao licenciar-me em Ciências Sociais pela UFRN, recebi um papel com uma “autorização” para ensinar sociologia no Ensino Médio. Esta autorização me possibilitou adentrar no campo da educação como mais um profissional em busca de um emprego ou da construção de um sonho.

A questão é que não foi apenas pelo emprego que resolvi trilhar pelos caminhos da licenciatura. Não apenas a profissionalização com vistas a uma inserção no mercado de trabalho me incentivou a passar quatro anos na Universidade. Existia algo além que me fascinava que me fazia crer na ação do educador como um sujeito político comprometido com a melhoria da sociedade. Este pensamento fora incentivado por diferentes fatos, acontecimentos e sujeitos. Sobre os sujeitos, posso dizer que conheci alguns educadores que me ensinaram que ser professor é mais que simplesmente vender sua força de trabalho, ou reproduzir conhecimentos e avaliar se os alunos conseguiram se apropriar destes. Professores que passaram por mim e que me fizeram perceber a sociedade de forma diferente, a história de forma diferente, e porque não, a mim mesmo de forma diferente.

Hoje, na condição de professor (de jovem professor) vejo-me em um momento da minha recente trajetória em que devo escolher entre dois caminhos: o primeiro me convida a assumir a condição de proletário-professor, portador de uma reles quantidade de conhecimento, e que se limita a vender sua mercadoria por horas aulas. Um professor que reproduz os conteúdos e as regras do campo, e atua no palco das escolas como um “ator”, ou um objeto controlado por um sistema formado por idéias reprodutivistas. Este, como vendedor de sua força de trabalho, e das suas estratégias de aulas divertidas e de metodologias criadas para fazer que os alunos passarem no vestibular, surge como o mais propicio a ganhar dinheiro, a obter êxito junto aos cursinhos da vida e reconhecimento no campo dos vêem a educação como mercadoria.

O segundo caminho, o do professor-educador, que se propõe a uma prática reflexiva, e procura possibilitar momentos de desconstrução ou desnaturalização dos fatos ou do próprio conhecimento. Que busca, em sala de aula, levar em consideração os conhecimentos de mundo vivido dos alunos, e procura além de mediar conteúdos, possibilitar momentos de formação humana e política. Um caminho em que o modelo de ser professor não se relaciona com a visão de que seu trabalho é apenas uma mercadoria. Este antes de tudo pode ser considerado como uma força política que possibilita transformações.

Uma breve observação sobre esse segundo caminho, pelo menos sobre o que tenho percebido, é que no campo educacional de hoje, é difícil se sustentar com essas idéias. Quando começamos a discutir nossas práticas pedagógicas, procurando avaliar nossas ações e repensar como construir novas e melhores estratégias de ensino; uma parte significativa dos professores (talvez preocupados com o novo) intervem dizendo que “estamos apenas filosofando, e isso não leva a lugar algum”. Estes ainda mantém a idéia de que “é preciso somente “passar” os alunos e fazer com que eles tenham êxito no vestibular”. Diante dessas situações (que no cotidiano são muitas), tenho reflito o quanto é difícil tentar trilhar pelo segundo caminho.

Por isso, em muito me vejo entre esses dois caminhos; o do emprego, com suas regras mercadológicas (com possibilidades de obter retorno imediato), e o da “educação”, com suas possibilidades de contribuir com a sociedade.

Qual desses dois devo escolher? Qual desses você escolheria? Se  és aluno, que tipo de professor você gostaria de ter? Se és pai ou mãe, qual tipo de professor você gostaria que seu filho tivesse? Estou para tomar uma decisão. E estou aberto às opiniões dos poucos que se propõem a ler esse pobre texto.

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