Comentário sobre dois intelectuais

Em um seminário internacional, tive a oportunidade de  encontrar  alguns intelectuais renomados (os quais admiro muito), e também dois, que passei a não ter admiração alguma. A estes seguem algumas reflexões: 

 Os dois “intelectuais” não tinham inserção no campo, porém tratavam do mesmo como se o conhecesse. Como se as poucas falas das entrevistas, ou alguns dados frios analisados, oferecessem elementos suficientes para construir um conhecimento que correspondesse a realidade estudada e pudesse representar outras.

Digo isso, pois socializando algumas experiências vivenciadas nos movimentos com os dois   “intelectuais”, eles me disseram que eu estava errado, que a dinâmica dos fatos não ocorriam da forma como havia relatado, e sim, segundo suas conclusões (não entrarei em detalhes do fato).

Como estou partindo do principio que a realidade é diversa e dinâmica, e que as minhas experiências não poderiam ser consideradas como um determinante a outras, mas que estas deveriam ser levadas em consideração, pois haviam verdadeiramente acontecido; os companheiros que contestaram minhas falas estavam no mínimo equivocados.

Equivocados, pois se convivo a algum tempo com alguns atores sociais, participo de varias reuniões, e posso até me considerar um ator, uma vez que atualmente exerço o papel de secretário executivo de uma frente parlamentar no Município, fui conselheiro de direito, e (hoje) atuo no conselho e em organizações sociais como técnico  e formador; tenho alguma autoridade para falar de experiências.

Penso que as minhas experiências não necessariamente podem se adequar a leitura dos dois intelectuais que haviam me criticado. As suas conclusões ou formas de compreensão parcialista, por mais que fossem resultado de anos de estudos, não poderiam anular as minhas experiências empíricas.

Essa história real pode servir para ilustrar como alguns intelectuais, muito bem pagos com nosso dinheiro, passam a vida inteira pesquisando, ganhando diárias e não construindo conhecimento algum. E ainda, quando encontram sujeitos na academia que vivenciaram experiências reais, tratam de desqualificá-los com suas pesquisas frágeis e generalizantes.

Pois bem, em homenagem aos “intelectuais” aqui citados, deixo algumas reflexões criticas:

 Como ficam admirados os pesquisadores que distante das realidades, descobrem através da pesquisa empírica elementos que possibilitam compreender a dinâmica de determinados fenômenos sociais.

Como investem em viagens, em entrevistas, banco de dados, entre outros, a fim de compreender seus objetos de estudo.

Como muitos estão distantes da realidade, talvez pela necessidade metodológica, ou pela  simples opção de não se aproximar dos fatos, a não ser quando o interesse passa a justificar o contrário.

Como conseguem passar tanto tempo estudando em seus gabinetes, estranhando os acontecimentos e chegando a conclusões tão obvias (   ) . Quando chegam a essas conclusões, ficam admirados como se tivessem descoberto a energia elétrica ou uma nova civilização. Suas conclusões podem ser consideradas obvias para quem enfrenta ou vivencia o campo, se insere no cotidiano dos movimentos, se dispõe a deixar as ruas asfaltadas e casas de alvenaria e caminham nas ruas de areia em meio aos casebres de papelão.

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