POEMAS DA JUVENTUDE

POETAS

Poetas insanos
Loucos e profanos
Amados por ninguém
Choram suas lágrimas
Nas noites solitárias
Por não terem alguém.

Poetas insanos
Loucos e profanos
De sofrerem nesta vida
Desejam os amores
Distantes das dores
Já sentidas.

Poetas insanos
Loucos e profanos
De sonharem com a utopia
Não há luz diferente
Neste mundo demente
Que a luz do dia.

Poetas insanos
Loucos e profanos
Amem a si mesmos
Não há deste mundo
Coração profundo
Que sacie os seus desejos.

Poetas insanos
Loucos e profanos
Não há dama e castelo
O dia não é mais dia
Morreu a alegria
E o belo não é mais belo.

VEJA

Vela a luz adormecida que não ilumina
Veja o farol da praia
Que não orienta os barcos
Veja a água corrente
Que não mata a sede
Veja o caminho longínquo
Que não leva a lugar algum
Vejam as asas fortes
Que não fazem voar
Veja o silêncio
Que não silencia
Veja a eternidade
Que morre e não é eterna
Veja os braços que se abrem
E não abraçam
Veja o pão que sobra
E não é repartido

Veja o rosto que sorri
E não é feliz
Veja um país que existe
E não é país
Veja o sonho que existe
E não é sonhado
Veja o assassino que mata
E não é culpado
Veja a vida que morre
E não é vivida
Veja o jardim florescido
Que não é bonito
Veja os olhos abertos
Que não vêem
Veja o cedro que dá sombra ser cortado
E veja o amor que ama não ser amado.

PRECE DE UM AMANTE

Deus esta no meu coração
No silêncio, na razão
E em você minha querida
Velada e despida
Pelos desejos da minha solidão.

E o que fica nesta vida
É o que se toca
Ou o que se beija
Por isso no universo que te vejo
Na cela escura com desejo
Em oração desejando meu beijo
E nos devaneios das minhas saudadas
Em verdade te sinto.

Quero pecar mais um pouco
Até que venha o amanhecer
E que o morrer não me faça esquecer
Dos desejos que sinto por você.

E deitado em mim mesmo
Quero ver a lua refletir-te nua
Branca como o sal
E suave como uma flor.

Te desejo meu amor
Em versos de devaneio
De corrupção da alma
De prazeres que pairam no ar.

Não deixarei de te amar
Mesmo que se vá
Para uma prisão
Mesmo que arranquem teu coração
E nele coloquem uma cruz.

Se é teu amor, a luz sagrada
Me ilumina neste quarto escuro
Traz a tua chama a minha cama
E vem como quem ama.

Se é teu querer os meus beijos
Abre-te aos desejos
E toma-me com loucura
Amada flor que perdura
Silenciada pelo desencanto
Que em pranto se toca na face
De olhos fechados vendo-me
Em nave viajando
Vem doce minha, bailando.

DISTÂNCIA

Distante estas amada
Distante porque partiste
Não da distância limitada
Mas da distância triste.
Não da distância medida
Que se mede uma estrada
Mas da distância da vida
Que se perde uma amada.

NASCIMENTO

Não são poemas, são dores
Não são palavras, são horrores
Que saem de minha alma como flores
Que deixam meu deserto mais vazio
E na tristeza do meu verso sombrio
Transcrevo o silêncio que sofro
E não sei se vivo ou morto
Libertarei-me da escrita.

Só sei que a flor mais bonita
É a que toma do deserto suas forças
É a que não veste roupas
E tão pouco perfume Nela habita

Só sei que a flor mais bonita
É a que nasce quando morro
Quando uma força dissolve minha alma
E a deixa escorrer na escrita

Só sei que a flor mais bonita
É fruto de meu amor e da minha agonia
E nasce em um parto tardia
Em uma mescla de felicidade e dor
Só sei que essa flor
É a flor da poesia.

SONHO

Minha alma viaja esta noite
Nas músicas de amor cantadas

Nas palavras escritas ou professadas
No perfume da mais simples flôr.

Minha alma viaja esta noite
No seio das nuvens brancas

Nas asas dos pássaros que cantam
Nas arvores que agora plantam
Suas sementes com amor.

PARTIDA

E deitei no seio da terra,
Em silêncio, parado e sem movimento.
Tudo parecia tão vago e calmo
Que poderia esquecer os sentidos e a lucidez.
Respirei o ar misturado com a terra
E com fome senti o sabor do madeiro que me envolvia.
Foi quando tudo escureceu,
E lembrei que entrara no esquecimento

MINHA MORTE

… Então meus olhos começaram a fechar
E a dor que sentia naquele momento aos poucos desaparecia
Foi quando em um dado momento senti um frio arrancar minha alma
E logo após acalmar definitivamente o meu corpo.
Neste exato instante parti deste mundo.

A VELA

A vela que sobra não dará para iluminar uma só noite de amor
Nem mesmo velar a dor
E o prazer que há de nos envolver.

A vela que sobra não queimará o ar perfumado
Que teu prazer libertará no ar.

A vela que sobra
Não há de nos fazer parar,
Porque a força que nos movimenta é interior
E os nossos movimentos continuarão na escuridão

A vela que sobra
Não iluminará os nossos corações
Já iluminados por nossos olhos.

A vela que sobra
Queimará nossas roupas e nos envolverá
Nos libertará da timidez,
E nos tornará forte outra vez
Para que novamente possamos nos amar.

A vela que sobra é da cor de teu corpo
E da temperatura do mesmo.

A vela que sobra transformará nosso prazer em religião
E abrirá com fé todos os caminhos
Até mesmo os nossos.

A vela que sobra queimará nossa casa
Quando nossos corpos
Adormecidos um sobre o outro
Estiverem dormindo mortos.

O RIO, A MORTE E O AMOR

Quero mergulhar nesse rio
Passar nessas águas
E ser esse mar

Quero viver esta vida
Como uma longa partida
E não parar de sonhar.

Quero viver a alegria
Na luz desse dia
E ao teu lado cantar

As belas canções
Dos amores da vida
Da terra e do mar.

Quero ser ó querida
Da tua bela vida
A força de amar

E nas águas da vida
Depois da partida
Quero você encontrar.

Uma prece

Pelo amor que vem da alma e não do corpo
Pela luz que emana força e não ilumina
Pelas palavras de paixão e de verdade
Juro-te meu amor pela eternidade.

Pelo coração que continua após a morte
Pelo dia que termina quando anoitece
Pelas águas que lavam as nossas lágrimas
Juro-te meu amor em uma prece.

Pelas ruas que na vida percorremos
Pelos versos que escrevemos ou que cantamos
Pelas tardes nas praias que vivemos
E pelo amor que na vida amamos.

Pelo sorriso envolvido na alegria
E os gritos nos momentos de agonia
Pelas verdades que nos fazem conhecedores
Pelas dores, amores e magias.

Pelo instante em que entro em teu corpo
Com a força do mais profundo sentimento
Pelo infinito que circula em nossas almas
No mais sublime momento.

Pela vida que nasce todo dia
Pela morte que mata a alegria
E pela fé que a faz ressuscitar
Juro-te que o meu amor sempre te amará.

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